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Bahia soma R$ 107,7 milhões em economia solidária; Litoral Sul tem centro público
Entre 2023 e 2026, o governo estadual investiu em centros públicos, cooperativas de catadores e empreendimentos de renda. O Cesol Litoral Sul atende 26 municípios do território.
O governo da Bahia informou que investiu R$ 107,7 milhões em políticas de economia solidária e circular entre 2023 e 2026. Desse total, R$ 57,6 milhões foram destinados aos 23 Centros Públicos de Economia Solidária (Cesol), segundo balanço divulgado nesta quarta-feira, 21 de outubro, e publicado pelo jornal A Tarde.
O que são os Cesol
Os centros funcionam em 24 territórios de identidade e, de acordo com os dados, atenderam 263 municípios. Beneficiaram 2,5 mil empreendimentos e 28 mil pessoas, a maioria mulheres. Os negócios acompanhados atuam em alimentos, bebidas, confecção, hortaliças, apicultura e cosméticos.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, descreve o apoio como assistência técnica, qualificação profissional, capacitação em vendas e acesso ao microcrédito, além da organização dos grupos e da valorização da produção local.
Reciclagem e cooperativas
Mais de 100 cooperativas de catadores de materiais recicláveis estão cadastradas. Nos últimos anos, foram aplicados mais de R$ 5 milhões em iniciativas para esses trabalhadores, com 4,7 mil pessoas beneficiadas, sobretudo durante grandes eventos, como o Carnaval de Salvador, o São João no interior e a Micareta de Feira de Santana. Entre os equipamentos adquiridos com o apoio estão balanças, prensas e caminhões, além da estruturação de galpões.
O próximo passo, segundo o secretário, é ampliar a capacidade das cooperativas para que avancem além da coleta e da triagem e transformem resíduos em produtos de maior valor agregado, o que exigiria pequenas unidades industriais com equipamentos adequados.
O recorte do Litoral Sul
O Cesol Litoral Sul contempla 26 municípios do território de identidade, região do sul baiano em que Itacaré está situada. A reportagem não lista os municípios atendidos, e a participação de cada um pode ser confirmada junto à Secretaria do Trabalho. A coordenadora do centro, a agrônoma Bárbara Aragão, afirma que o trabalho inclui qualificação dos produtos, criação de identidade visual, compras coletivas de matéria-prima e suporte jurídico, nutricional e institucional. Na região, além do chocolate, os empreendimentos atuam com artesanato, reciclagem e prestação de serviços.
Bárbara Aragão aponta como dificuldade a organização coletiva dos produtores, e o Cesol responde com oficinas e atividades de formação.
Chocosol, em Ilhéus
Um exemplo citado é a Chocosol, empreendimento de cacau e chocolate ligado à Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), em Ilhéus. Surgiu da necessidade de agricultores familiares de buscar renda em um período de baixa do preço do cacau, por meio do beneficiamento da matéria-prima.
Conforme o presidente da cooperativa, João Geraldo, a estrutura é uma fábrica-escola. Atende diretamente 30 produtores e empreendimentos e alcança indiretamente até 240 beneficiários. Os agricultores aprendem as etapas, da colheita e secagem do cacau à fabricação do chocolate. Hoje são cinco linhas de chocolate, com diferentes concentrações de cacau. A capacidade de 1,2 tonelada por mês ainda não foi atingida, e a ampliação do maquinário e a oferta de matéria-prima de qualidade estão entre os desafios. Há 14 empreendimentos na fila para ingressar.
Indústria
A economia circular também avança no setor industrial. A assessora técnica da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Geane Almeida, informou que 131 das 272 práticas inscritas nas quatro últimas edições do Prêmio Fieb Indústria Baiana Sustentável (2018, 2021, 2023 e 2025) estavam ligadas ao tema. O Senai Cimatec desenvolve pesquisas e projetos-piloto para aproveitar resíduos industriais e vegetais, como a nanocelulose obtida da fibra de coco.
Por que importa
Para uma cidade cuja economia depende do turismo e da produção local, como Itacaré, o balanço mostra que existe uma rede estadual de apoio técnico, crédito e comercialização para artesãos, produtores de alimentos e cooperativas de reciclagem. Os números são do governo estadual e não detalham os resultados por município.
Com informações de A Tarde (atarde.com.br), em reportagem de 21/10/2026, com dados da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte da Bahia (Setre) e da Fieb.